Month: April 2014

Dimensionar Sistema Solar Térmico AQS

Descarregue o nosso artigo aqui: Dimensionamento solar AQS

 

Que variáveis devemos ter em consideração no dimensionamento de um sistema solar de águas quentes sanitárias?

O correcto dimensionamento de um sistema solar de Águas Quentes Sanitárias (AQS) deve começar pela recolha dos perfis de consumo, levantamento das características do local e utilização de softwares de simulação adequados, como por exemplo o SOLTERM do LNEG.

Mais informações do Solterm aqui

No entanto, a simplificação destes procedimentos, bem como dos habitualmente recomendados para o resto do projecto, não levarão forçosamente a um pior dimensionamento.

Em 8 passos indicados abaixo, podemos rapidamente definir os principais componentes do sistema solar.

1.      Consumos estimados

Numa instalação existente é sempre mais rigoroso recolher os registos de consumos. Mas raramente isto é possível, e em instalações novas é mesmo impossível a obtenção de registos.

Para ultrapassar esta dificuldade é necessário recorrer a uma base de dados com médias de consumos por tipologias.

Uma muito adequada, é a da pergunta 17 do caderno de perguntas e respostas do RCCTE da ADENE.

Tabela 1. Consumos diários de referência da pergunta 17 do caderno de perguntas e respostas do RCCTE da ADENE.

Consumos referência AQS

É importante referir que a temperatura de referência desta tabela são 60ºC.

2.      Volume de acumulação

AQS solar térmico Restaurante

Quando se dimensiona uma acumulação solar idealmente deve ser assumido que se pretende acumular a radiação disponível de 24 horas, independentemente do perfil de consumo.

Numa situação real é provável que o sistema esteja a aquecer todo o dia, para à noite, em uma ou duas horas ocorra o consumo total diário.

A melhor forma de garantir o aproveitamento total da radiação solar é igualar o volume de acumulação ao consumo diário a 45ºC.

Uma vez que do passo 1 se obteve o consumo diário a 60ºC é necessário converter este valor para o correspondente consumo diário a 45ºC.

A equação 1 é uma simplificação desta conversão:

equação 1

Em que:               C60ºC       =>          Consumo a 45ºC  [l/dia]

C60ºC       =>          Consumo a 60ºC [l/dia]

 3.      Cálculo da área de colectores solares térmicos

Colectores solares pavimento radiante e AQS

O cálculo da área de captação tem que ser baseado no volume de água de acumulação. Apenas baseando nesta relação é possível saber as temperaturas médias da acumulação (excluindo os consumos), prevendo se o sistema entrará em sobreaquecimento no Verão ou não.

Uma relação empírica empregável neste passo é considerar 6 metros quadrados por cada 500 litros de acumulação.

Esta relação é fiável para a grande maioria dos colectores planos selectivos existentes no mercado. Hoje em dia a generalidade destes colectores tem aproximadamente 2 m2, rendimentos ópticos entre 75% e 80% e factores de perdas de primeira ordem entre 3,5 e 4,5 W/m2K.

A equação abaixo resume este passo 3:

equação 2

Em que:               V             =>          Volume de acumulação [l]

4.      Cálculo do caudal do circuito primário

Grupos hidráulicos solar térmico

O passo seguinte tem que ser o cálculo do caudal necessário para se poder de seguida dimensionar toda a tubagem.

Uma regra simples é a de considerar um caudal de 50 litros / hora por cada metro quadrado de área de captação.

Na prática é possível reduzir este valor para 40 l/h m2 sem prejuízo do bom funcionamento da instalação, mas para o dimensionamento mais seguro é preferível utilizar o primeiro valor (equação 3):

equação 3

Em que:               Q            =>          Caudal [l/h]

                              A             =>          Área por colector [m2]

5.      Cálculo da secção da tubagem do circuito primário

Tubagem circuito solar térmico

A tubagem deve garantir velocidades da passagem de fluido inferiores a 2 metros por segundo e idealmente próximas de 1 m/s.

Os motivos para a escolha destas velocidades são garantir baixos níveis de ruído e baixas perdas de carga por atrito.

Uma forma rápida de executar este passo é recorrer a uma folha de cálculo preparada com as secções de tubagem comerciais e configurada para em função do número de colectores definir de imediato a secção – há várias disponíveis no mercado.

De forma analítica é necessário utilizar a equação 4, apresentada abaixo:

equação 4

Em que:               Q            =>          Caudal [l/h]

S             =>          Secção da tubagem [mm]

As secções para caudais baixos são demasiado reduzidas quando calculadas por este método. A consequência é um sistema com uma quantidade de fluido muito baixa e menos permeável a manter o funcionamento após eventuais descargas de fluido em períodos de sobreaquecimento.

Para garantir um volume mínimo de fluido na instalação, são recomendadas a secções da tabela 2. 

Tabela 2. Secção de tubagem em função do número de colectores do sistema solar.

tabela 2

6.      Cálculo da quantidade de fluido na instalação

Fluido solar térmicoO passo seguinte é o do cálculo da quantidade de fluido. Isto é necessário para calcular a quantidade de anti-congelante necessário e para calcular o volume do vaso de expansão do circuito primário.

Para este cálculo é necessário contabilizar:

  • O volume da tubagem interior dos colectores (indicado pelos fabricantes);
  • O volume do somatório de todas as tubagens do circuito primário;

O volume do interior dos permutadores (serpentinas dos acumuladores, permutadores de calor, baterias dos dissipadores de calor, etc.).

O cálculo da quantidade de anti-congelante estará sempre dependente das temperaturas exteriores mínimas e do ponto de congelação do fluido utilizado.

Para um clima como o de Portugal, e utilizando mono-propilenoglicol (anti-congelante mais recomendado para sistemas solares de AQS) uma concentração de 30% é normalmente seguro para evitar congelamento do fluido do colector, com consequente rebentamento dos tubos interiores.

O cálculo da quantidade e a correcta diluição não elimina a necessidade de confirmação do ponto de congelação com um refractómetro preparado para o efeito.

7.      Cálculo do volume do vaso de expansão do circuito primário

Vaso de expansão solarPara o cálculo do vaso de expansão solar é necessário considerar dois volumes:

  • Volume total do sistema solar (calculado no passo 6);
  • Volume no interior dos colectores solares.

A explicação para considerar estes dois valores é que a temperatura dentro dos colectores solares, em períodos de paragem da bomba circuladora, é sempre superior à temperatura do restante circuito.

A equação 5 permite calcular um volume seguro de um vaso de expansão solar.

equação 5

Em que:               VVE Solar   =>          Volume do vaso de expansão solar [l]

VCP          =>          Volume do circuito primário [l]

VIC           =>          Volume do interior dos colectores [l]

8.      Cálculo do volume do vaso de expansão do circuito primário

O vaso de expansão sanitário deve ser suficiente para garantir as expansões da água sanitária pela variação da sua temperatura. O cálculo rigoroso deve garantir a contabilização da água contida nas tubagens a jusante dos acumuladores, a temperatura mínima da água fria da rede e a temperatura máxima média atingida dentro do acumulador.

Considerando um vaso de expansão igual a 5% do volume total de acumulação estará garantida as condições necessárias para a maioria das instalações.

 Conclusão

Estes 8 passos permitem um rápido dimensionamento dos principais constituintes de um sistema solar de AQS.

No final é sempre necessário verificar a quantidade de energia solar obtida com o sistema anualmente, a redução esperada dos consumos e o retorno do investimento.

Para estes últimos cálculos será necessário o recurso a um software de simulação (tipo SOLTERM).

Colectores solares em Hospital

Caldeiras de Condensação

Descarregue o nosso artigo aqui: Teoria da condensação

 

Como funcionam as Caldeiras de Condensação?

 

  • Princípio de funcionamento

Todos os combustíveis que contém hidrogénio produzem água na sua combustão. Parte do calor produzido pela reacção  de combustão é gasto para vaporizar a água produzida.

Até ao aparecimento das Caldeiras de Condensação, o calor gasto na vaporização da água da reacção era completamente perdido. Este calor, é o somatório do calor latente e sensível do vapor de água e representa aproximadamente 540 Kcal por kg de condensação.

Calor sensível

É o calor libertado apenas pela redução da temperatura dos gases de combustão. É calor ganho, que as caldeiras tradicionais perdiam, mas não é a parcela mais importante, que é a do calor latente.

Os fumos resultantes da combustão das caldeiras tradicionais estão a 130ºC enquanto nas Caldeiras de Condensação estão a cerca de 50ºC. Esta redução de temperatura, de 80ºC, multiplicado pelo calor específico dos fumos e pelo caudal dos mesmos representa o calor sensível recuperado.

Calor latente de condensação

Representa o calor libertado pelo vapor de água na altura da sua mudança de estado para líquido. É a grande parcela de calor, logo a que mais interessa recuperar. Durante este processo de mudança de estado não há alteração de temperatura.

Rendimento das Caldeiras Convencionais VS Caldeiras de Condensação

É necessário perceber qual a base sobre a qual se calcula o rendimento de uma caldeira, para se entender os rendimentos na ordem dos 110% nas Caldeiras de Condensação.

Energia PCI e PCS

Figura 1. Comparação entre a quantidade de energia indicada pelo Poder Calorífico Inferior (PCI) e a indicada pelo Poder Calorífico Superior (PCS).

Tradicionalmente, referimo-nos ao rendimento de uma caldeira tendo por base o poder calorífico inferior (PCI). Isto significa que o rendimento de uma qualquer caldeira é a divisão da sua potência útil sobre o caudal térmico fornecido, conforme indicado na equação 1.

equação 1

Em que:           Pot.útil = Potência fornecida à água em kW

Caudal térmico = PCI do combustível em kW

Nas Caldeiras de Condensação, o calor latente e sensível recuperado pelo abaixamento de temperatura dos fumos de queima e respectiva condensação, é normalmente superior ao valor do calor perdido pela caldeira (perdas térmicas não aproveitadas para a água). Isto significa que normalmente se consegue que a Potência útil seja superior ao PCI, o que se traduz em rendimentos superiores a 100%.

Calor sensível e calor latente

 

Figura 2. Poder Calorífico Inferior (PCI) e Poder Calorífico Superior (PCS) de diferentes combustíveis..

Ponto de orvalho

A condensação acontece no ponto de orvalho. A temperatura do ponto de orvalho aumenta com a elevação do teor de CO2 (ou ao diminuir o excesso de ar primário do queimador).

Pela sua equação química e tipo de reacção, o metano tem temperaturas de orvalho superiores, e assim mais vantajosas, relativamente ao gasóleo.

Ponto de orvalho metano e gasóleo

Figura 3. Gráfico do ponto de orvalho dos gases resultantes da queima de Metano e Gasóleo, em função do teor de dióxido de carbono resultante.

Analisando o gráfico da figura 3, verificamos que para o mesmo teor de dióxido de carbono na ordem dos 9% resultam em pontos de orvalho para gases resultantes da queima de metano na ordem dos 54ºC, enquanto no caso da queima do gasóleo, os gases resultantes apenas condensam aos 41ºC.

Desta analise se conclui que é muito mais fácil recuperar o calor latente de gases provenientes do metano do que dos gases da queima do gasóleo.

  • Funcionamento

O fluxo dos fumos é em “contracorrente” em relação ao da água para permitir que a redução da temperatura dos fumos seja o maior possível. Para os condensar, é necessário que a temperatura de retorno da instalação seja inferior ao ponto de orvalho.

Caldeiras de condensação de permutador único

Pelo cruzamento da informação disponível nas figura 3, 4 e 5, percebemos que para as Caldeiras de Condensação a metano é possível trabalhar em sistemas de aquecimento cujo retorno seja 50ºC, com aproveitamento integral das capacidades da caldeira. São temperaturas que servem quase qualquer tipo de aquecimento, quer de baixa (pavimento radiante, ventiloconvectores, etc), quer de alta temperatura (radiadores, etc.). Apenas é necessário precaver, no caso dos radiadores, um número de elementos compatível com a potência necessária para o local aquecido.

Para as Caldeiras de Condensação a gasóleo o retorno da instalação deverá andar na ordem dos 37ºC. Aqui, claramente, são caldeiras mais adequadas para sistemas de aquecimento de baixa temperatura.

  • Evolução da tecnologia

Apesar de o princípio teórico da condensação ser simples, a construção das caldeiras na prática não foi tão fácil como se poderia supor. E a dificuldade advem de vários problemas técnicos, para os quais houve necessidade de arranjar soluções que não retirassem a viabilidade económica das caldeiras.

 Possíveis problemas técnicos

O problema mais evidente é a corrosão devido à condensação. Os fumos tem sempre na sua composição Nox e Sox, que quando condensam são responsáveis pelo baixo teor de pH do efluente. Os condensados das Caldeiras de Condensação a metano tem um pH entre 3,5 e 5. Os provenientes das Caldeiras de Condensação a gasóleo tem um pH entre 1,8 e 3,5.

Outro dos eventuais problemas prende-se com a má evacuação de fumos. São fumos a baixa temperatura. Quanto menor a temperatura, menor o gradiente de velocidades dos fumos, no limite com consequência de dificuldade de evacuação, e impossibilidade de funcionamento das caldeiras.

A necessidade de recuperar muito mais energia dos gases de combustão obriga à necessidade de superfícies de permuta amplas e eficientes. Normalmente são áreas duas a quatro vezes maiores que as das caldeiras tradicionais.

As caldeiras existêntes no mercado são de dois tipos. Com dois permutadores, ou com apenas um permutador.

Caldeiras com duplo permutador

As caldeiras de duplo permutador, separam em duas zonas a recuperação de calor. São constituídas por um ventilador de evacuação de fumos, um permutador primário, onde recupera o calor da combustão, um queimador Atmosférico e um permutador secundário em alumínio ou inox , que é exclusivo para a condensação.

Caldeiras com permutador único

As caldeiras com apenas um permutador, sã constituídas por um queimador Pré-mistura, um permutador em Alumínio – Silício ou Inox, onde se recupera o calor resultante da queima, o calor sensível da redução de temperatura dos gases e o calor latente da condensação.

Caldeira de condensação de permutador duplo

Figura 6. Esquema do princípio de funcionamento de uma caldeira de condensação de permutador duplo.

Caldeira de condensação de permutador único

Figura 7. Esquema do princípio de funcionamento de uma caldeira de condensação de permutador único.

 

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História do Pavimento Radiante

Descarregue o nosso artigo aqui: História do Pavimento Radiante

História do Pavimento Radiante

Pavimento Radiante na Civilização Minoica

O pavimento radiante terá sido usado pela primeira vez pela civilização Minóica, há mais de 5.000 anos.

 

Posteriormente, ainda ha mais de 2.000 anos foram os romanos que o utilizaram, ainda que com tecnologias muito diferentes das actuais, nomeadamente pela passagem de gases de queima por canais de tijolo aplicados no pavimento dos locais aquecidos.

 

A mesma tecnologia foi utilizada pelos Japoneses e Coreanos que há cerca de 800 anos utilizaram para aquecer a casa a partir do chão.

Pavimento radiante no Japão

Estes sistemas tinham riscos, especialmente de intoxicação pelos gases de combustão.

Apesar de tão antigo, o seu grande desenvolvimento foi nos anos mais recentes, pela clara percepção de o pavimento radiante ser sem dúvida nenhuma a forma mais eficiente de climatizar uma habitação.

 

No século passado foram feitas muitas instalações com tubagem em ferro preto. Nestas instalações era cometido o erro de trabalhar a temperaturas altas. Havia duas consequências nefastas neste tipo de procedimento: risco de danos para a superfície aplicada sobre o pavimento (especialmente no caso das madeiras) e risco de saúde (especialmente doenças circulatórias, como por exemplo as varizes).

Circuitos pavimento radiante

Hoje em dia há a perfeita noção de que o pavimento radiante foi desenvolvido para trabalhar a baixas temperaturas. Nunca podemos ter temperaturas superiores a 30ºC na superfície do pavimento. Para isso não é necessário mais do que 35-40ºC na impulsão da água de aquecimento.

 

Toda a evolução descrita levou-nos a trabalhar com tubagens mais económicas e resistêntes (mais usualmente o PEX – Polietileno reticulado) e de forma mais eficiente pelas baixas temperaturas que garantem toda a segurança para os materiais e saúde dos utilizadores.

 

O pavimento radiante acumula evidentes vantagens estáticas e funcionais. Qual é o outro sistema que não ocupa paredes, não tem qualquer ruído e proporciona temperaturas tão uniformes por todas as divisões?